Início » Corregedoria » Seminário sobre a Saúde dos Magistrados e Servidores discute saúde mental no Poder Judiciário
 

Seminário sobre a Saúde dos Magistrados e Servidores discute saúde mental no Poder Judiciário

O impacto do assédio moral sobre a saúde de servidores e magistrados foi o destaque do 2º Seminário Nacional sobre a Saúde dos Magistrados e Servidores do Poder Judiciário, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), semana passada em Brasília. Na ocasião, a Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Piauí foi representada pelo seu juiz auxiliar Luiz de Moura Correia.

Estresse, depressão e outras doenças têm afetado magistrados e servidores do Judiciário em todo Brasil. O resultado são casos crescentes de suicídio. “Nos últimos anos, tivemos no âmbito do nosso Judiciário, o suicídio de magistrado e servidores, por isso é imperioso um trabalho da direção do nosso Tribunal de Justiça na busca de soluções de prevenção e tratamento para essas doenças, a fim de evitarmos o adoecimento e o sofrimento dentro do ambiente de trabalho, melhorando a qualidade de vida dos nossos servidores e magistrados”, destacou o juiz auxiliar.

Durante o evento, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Cláudio Brandão, destacou ser preciso criar e manter um ambiente de trabalho mais positivo para evitar a pressão exagerada sobre os trabalhadores, exigindo metas inatingíveis e a difamação.

“A depressão é a doença que mais afeta a população mundial e pode causar danos irreversíveis. O objetivo do CNJ ao trazer esse tema para a abertura deste evento é desenvolver estratégias para conhecer o problema e combatê-lo”, explicou o ministro. De acordo com ele, o Brasil começou a identificar o assédio moral no trabalho apenas no ano 2000. Antes disso, a jurisprudência registrou sentenças contra dano moral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 1966; o Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a julgar questões relativas a dano moral em 1980; e a Justiça do Trabalho, a partir da década de 1990.

Ele ainda ressaltou que, para manter um ambiente saudável e seguro, é preciso cuidar das relações interpessoais, respeitando inclusive, o “direito de desconexão” das pessoas. “A comunicação instantânea nos trouxe uma ferramenta para facilitar o trabalho. Mas, quando exageramos e enviamos uma mensagem ao funcionário a qualquer hora, ainda que não seja nossa intenção de sobrecarregá-lo, ele pode se sentir na obrigação de responder, por medo da autoridade. E esse é o problema”, explicou.

O também ministro do TST e conselheiro do CNJ Aloysio Corrêa da Veiga, disse que o Conselho está buscando boas práticas para o aperfeiçoamento da Justiça. Para ele, o trabalho pela saúde dos magistrados e servidores é fruto dessa preocupação, que aponta métodos de trabalho para um ambiente mais saudável. “Queremos criar um ambiente para troca de experiências e benchmarking, buscando boas práticas que possam ser replicadas. O CNJ tem se dedicado à área de políticas públicas, adotando medidas capazes de melhorar o tempo no Poder Judiciário”, afirmou.

Saúde mental

A professora da UnB Ana Magnólia destacou alguns dados de sua pesquisa que apontou um número crescente de suicídios no ambiente de trabalho ou motivados por problemas relacionados ao trabalho. De acordo com ela, o sofrimento é uma das principais questões apontadas pelos mais de 6 mil servidores que participaram do levantamento.

O modelo gerencialista aplicado aos ambientes de trabalho tem sido um fator preocupante, pois registra uma desumanização no trato dos servidores e a aplicação de metas exageradas. De acordo com a pesquisa, 71% dos trabalhadores sofrem de esgotamento mental; e 45% relataram tristeza e vontade de desistir de tudo. “O sistema está em estado de alerta. Alguns caminhos precisam ser alterados para que esse cenário não piore”, ressaltou.

De acordo com Ana Magnólia, o medo é o principal sintoma citado: medo de errar, de ser excluído porque errou, de ser chamado de incompetente e de ser punido. “As relações de confiança estão quebradas. O assédio moral é um dos principais causadores desse quadro. A pesquisa é importante para termos um processo de discussão”, alertou.

Ainda foi lançada durante o evento, que também contou com a participação do presidente da Associação dos Magistrados Piauienses, Dr. Tiago Brandão; a cartilha “ Saúde mental e trabalho no Poder Judiciário”.

Com informações: CNJ

Compartilhe:
Print Friendly, PDF & Email